Desde quando fui morar no meu apartamento atual, em 2021, um estranho fenômeno vem me ocorrendo: uma vez ao ano o meu lar é visitado por um rato e, poucas semanas depois, sou atingido por alguma doença mortal que sempre me deixa bem pertinho de descer pelas cordas.
Como comecei a morar aqui no meio de 2021, não me aconteceu nada naquele ano, então pulemos ele.
No comecinho de 2022, em janeiro, se não me engano, vi um rato no fogão da minha cozinha, e depois do susto dele ao meu ver (e do meu ao ser surpreendido por aquela criatura fora de contexto) se esconder, demorou uns dois dias para que eu o expulsasse de casa. Umas duas semanas depois contraí o vírus do H3N2, cuja doença estava sendo apelidada aqui na minha cidade de “gripe do Rio de Janeiro”. A probabilidade de um indivíduo sem comorbidades e fora dos grupos de riscos desenvolver a versão mortal da doença é menor do que a da Covid-19, mas adivinhem? Caí justamente no grupo que tem 0,1% de chance de desenvolver a letalidade da doença e cheguei no hospital com sepse (condição essa, que se não houver intervenção médica, leva à morte).
Em janeiro de 2023 , um outro rato, enooorme, se embrenhou no meu lar e só consegui me livrar do infeliz depois de uns 3 dias de estadia dele no meu recinto, com a ajuda de duas parentes minhas. Um mês depois, contraí uma infecção urinária horrorosa, que me fez mijar sangue (não foi mijo com sangue, mijei foi o SANGUE PURO mesmo, quente e grosso). Foram quatro dias de internação em meio de noites tempestuosas e diversos antibióticos injetados na minha veia para que eu conseguisse escapar.
Em junho de 2024, com o local de acesso dos ratos à minha residência devidamente lacrado, meu amiguinho roedor resolveu me avisar da minha doença mortal daquele ano me esperando pendurado numa grade à frente da minha porta enquanto eu chegava do trabalho. Consegui botá-lo para correr, mas óbvio que captei a mensagem. Algumas semanas depois, tive uma infecção fúngica na boca e na garganta , agravada por um diagnóstico errado de um médico que disse que eu estava com herpes. Quatro dias fazendo tratamento para herpes à toa, enquanto o fungo se alastrava pela minha boca, a ponto de eu não aguentar nem beber água, imagine comer. Graças a um infecto com que eu me consultei, depois de não aguentar tanta dor, sangue e cuspir pedaços dos meus lábios, foi que obtive o diagnóstico correto, curando-me totalmente da doença uns 5 dias depois.
Em maio deste ano, vi um rato novamente pendurado numa árvore à frente do meu apartamento. Tenho até a leve impressão de que o ouvi gritando: “ei, viado, já já tu vai morrer de novo!” , e o resultado? Crise de ansiedade terrível que eu JURAVA que estava morrendo mesmo, sendo a pior coisa que já senti em toda a minha vida, fazendo com que eu sujasse metade do meu apê e mobilizasse o meu condomínio para me levasse a um hospital às pressas. Desde o referido evento que venho tomando remédios psiquiátricos, tanto para poder estabilizar o meu juízo, que foi para o beleléu, quanto para poder dormir. A previsão é que eu passe mais ou menos uns 6 meses me medicando, e como 2026 já está bem aí, já estou aqui ansiosíssimo pela doença mortal do próximo ano. 🥰
Da próxima vez que eu vir esse rato, eu vou lamber o cu dele. 😡